quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sobre o Amor e o Sorvete

Quem realmente gosta de sorvete,
digo,
os verdadeiros apreciadores
sabem que um bom sorvete
se come
de colherinha

nem de sobremesa
mas de café
mesmo de chá

um bom sorvete não provoca a sofreguidão das colheradas de sopa
não é comido como uma missão a cumprir
mas apreciado às pequenas doses

e deixa só satisfação...
...mesmo quando termina.


Pois dosar não é segurar suas vontades
Nem ser paciente é esperar bufando.
Mas saber entender o tempo
com aquele leve sorriso de quem já sabe a resposta


E o amor
de colherinha
titulado
homeopático

Faz doses inifitamente pequenas
que subatômicas,
imateriais
se perpetuam.

E são consumidas eternamente
na infinitude do desejo.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Seattle

Estive em Seattle em 1996. Passei dois meses na cidade. Era bem a época de transição entre o movimento Grunge e o Pós-grunge.
É uma cidade completamente diferente daquilo que se imagina por Estados Unidos. Fica no extremo noroeste do país, muito próximo ao Canadá. É terra da Microsoft, da Boeing e de gente legal e alternativa. Fiquei a maior parte do tempo em Capitol Hill, bairro mais alternativo da cidade, um dos berços mundiais da contracultura.

Lembro que me chamou atenção na época a população jovem, internacional e magra. Sim, magra. Além disso, foi a primeira vez que entrei em contato com piercings e tatuagens. Praticamente não havia isso no Brasil. Em Seattle, eu me sentia estranho por não ter nem um nem outro. O normal era ter vários piercings. Era difícil encontrar um jovem que não tivesse dois ou três. Bem... depois de 14 anos, continuo sem nenhum.

Porém, não se pode dizer que voltei de Seattle sem influências. Essa cidade me tocou profundamente. E não é de se estranhar que ela, em 1999, três anos após minha estada, tenha sido palco da famosa Batalha de Seattle, movimento social espontâneo que envolveu entre 40.000 e 100.000 pessoas. Incrível como pouquíssima gente no Brasil saiba desse evento. Principalmente por não ser um acontecimento isolado, mas um marco num movimento ideológico fortíssimo e que tem tudo a ver com a blogsfera.

Indignados com a "cobertura jornalística oficial", que ocultava, minimizava ou distorcia os fatos, ativistas criaram a Indymedia, que já se tornou uma imensa rede voluntária e horizontal de cobertura jornalística. O ramo brasileiro é a Central de Mídia Independente.



Aliás,
Um dos amigos que fiz por lá ganhava a vida comprando casas antigas, as reformando e revendendo. Os compradores eram, em sua grande maioria, moradores "exilados" de Hong Kong, que estavam batendo em retirada da ilha, símbolo do capitalismo, que seria devolvida no ano seguinte, em 1997, à China comunista.
Como pagavam mais caro pelas casas, deixava de valer a pena derrubá-las e construir outras no estilo arquitetônico oriental, o que estava já desfigurando a cidade.

Aliás,
Pra quem não sabe o que Hong Kong estava fazendo sob domínio inglês até 1997, vale muito a pena estudar um pouquinho sobre a Guerra do Ópio. Interessante que eu nunca havia ouvido falar nisso no colégio...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ontem eu demorei pra dormir

Tava navegando pela internet, a toa, easy rider, pra lá e pra lá. Clicando sem pensar nos links. Vendo uns vídeos, umas fotos... passeando afinal. Um passeio meio sem destino, uma promenade.

Aí me deparei com esse vídeo do Jorge Aragão. A melodia é muito boa, a letra me despertou um pensamento interessante:
Reconhecer suas fraquezas é uma demonstração de força?
Essa atitude é até meio cool. Causa espanto, a princípio, mas reforça a empatia logo em seguida. Parece mais interessante a pessoa que reconhece a própria fraqueza. Desde que não a use como muleta.

E... assim, quase instantaneamente, no gerúndio desse post, quem me salta na mente?
Fernando Pessoa, ou Álvaro de Campos, no poema em linha reta
Esse não é o cara que "desvia da possibilidade do soco", mas o cara que aceita que "desvia da possibilidade do soco". E, ao assumir uma fraqueza universal, torna-se forte, pois essa atitude passa a parecer tão humilhante aos demais que preferem apenas guardar dentro de si.



aliás,
- outra coisa que gosto no francês, é a diferença entre "rappeler" e "souvenir". Ninguém nunca me ensinou formalmente assim, mas fiquei com a forte impressão que "rappeler" é uma lembrança mais racional, enquanto "souvenir" é uma lembrança mais emocional. Talvez por isso nunca lembre de datas ou frases ou outros detalhes das pessoas de quem eu gosto. Je ne me rappelle pas, mais je me souviens bien...
- isso já me abriu um link para aquela expressão no inglês "for good". Ela me parece se referir ao acontecimento mais irreversível que há. Eu diria mesmo um acontecimento definitivo. E essa expressão reforçou minha convicção insana de que tudo o que acontece, acontece para o bem - for good. E que a própria definição de bem, é o que permanece. Ruim é aquilo que simplesmente sumiu - já não faz parte nem do passado.

aliás,
- quem disse que o passado é imutável? Meu passado se reescreve a cada instante.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sobre o Perdão

Ins-pirações:
Heresia Loira e Chico Buarque:
"Você que inventou esse estado e inventou de inventar toda escuridão...
Você que inventou o pecado e esqueceu-se de inventar... o perdão!"

O perdão só existe se há culpa.
A culpa só existe se há julgamento.
Então, não seria mais fácil, antes de perdoar, simplesmente deixar de julgar?

Será que estamos assim tão hipnotizados por essa lógica religiosa que deu origens até ao direito romano?
Bem, a religião ao menos perdoa. O direito prevê punição.
Mas quem faz as leis? Ou como elas surgem?

Por que nós nos impomos tantas restrições? Ou ainda por que tentamos impor aos outros tantas restrições que... não queremos para nós mesmos.

Uma lei ainda pode ser legítima se restringe apenas quem a criou.
Mas é válido criar leis para os outros?

E qual punição sentenciamos no nosso foro íntimo? Deixar de amar?
Mas então... era mesmo amor?

Mesmo antes de julgar, distribuímos e cobramos responsabilidades que não necessariamente estamos prontos a aceitar.
Criamos as regras, vigiamos o erro e culpamos, como quem coloca uma dívida no outro. Hierarquizamos. Restringimos a liberdade alheia buscando aumentar a nossa. Aí então ficamos surpresos e chateados quando percebemos que isso não funciona. Pois acabamos dividindo a punição com aquele no qual jogamos toda a culpa. Quem gosta de deixar de gostar?

Se punir também nos castiga, por que então condenamos? Por que julgamos? Por que restringimos? Por que culpamos...?

Afinal de contas

Então, de onde surgiu o nome do meu Blog?

Queria um título que estivesse disponível também como http://, tarefa que se mostrou complexa e acabou me levando a uma "livre" associação extensa mas produtiva.
Dar nome a um blog é um exercício de introspecção.

Guardei algumas tentativas que levaram a nomes de blogs já existentes:

divididoporzero
issofoiontem
oirartnocoa
ospirata

Então resolvi procurar nomes mais pessoais.
Decidi juntar os nomes das quatro cidades nas quais eu já vivi.

Florianópolis, Leoberto Leal, Barcelona e Paris.

Para o endereço http:// não ficar muito grande, coloquei as abreviações aeroportuárias (IATA). Leoberto Leal não tem aeroporto ainda, mas usa o de Florianópolis. Paris também tem o aeroporto de Orly, mas foi pelo Charles de Gaulle que eu entrei pela primeira vez.
fln, bcn, cdg.

Depois do meu primeiro post tive também outras idéias:

intimo
intimidade
eu
ego

E descobri que tanto o nome quanto o http:// não precisam ser definitivos. Então...


Aliás...
- como é bom o "Samba de Orly"
- quero também fazer menções honrosas a três outras cidades onde passei um bom tempo - somando idas e vindas, pelo menos uns dois meses em cada uma: Seattle, São Paulo, Montpellier.

Aliás...
- meu blog poderia se chamar Seattle São Paulo Montpellier... mais misterioso... Que tal mudar agora?

Livre Associação

Escolher um nome para Blog não é fácil.
Encontrar o nome disponível é mais complicado ainda.

Como é que se faz para dar nome a um blog?
Tu, blogeiro, como desse nome ao teu blog?
Como resumir num título e num http:// aquilo sobre o qual tu queres falar?

Ok, se já há um assunto em mente, se o blog já nasce predestinado, se ele tem um propósito! - idéias ali prontinhas para receberem um upload, agoniadas para pularem dos neurônios para os circuitos elétricos, talvez, ainda talvez assim seja mais fácil.

Mas não foi meu caso.

Comecei esse blog sem ter a menor idéia de sobre o que escrever. Apenas "deu vontade". De onde "veio" essa vontade?
Era preciso ter um blog. Para que as pessoas me conheçam, que tenham acesso aos meus pensamentos íntimos.
Quero que tu te tornes íntimo de mim, mesmo sem jamais ter te conhecido pessoalmente.

Intimidade... intimidade é a resposta.

Esse será um blog íntimo, a respeito de mim mesmo. Também quando falo de outros assuntos.
Meu maior leitor - eu mesmo.

Porém, se tu chegaste até aqui... talvez o blog também te interesse.