terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ontem eu demorei pra dormir

Tava navegando pela internet, a toa, easy rider, pra lá e pra lá. Clicando sem pensar nos links. Vendo uns vídeos, umas fotos... passeando afinal. Um passeio meio sem destino, uma promenade.

Aí me deparei com esse vídeo do Jorge Aragão. A melodia é muito boa, a letra me despertou um pensamento interessante:
Reconhecer suas fraquezas é uma demonstração de força?
Essa atitude é até meio cool. Causa espanto, a princípio, mas reforça a empatia logo em seguida. Parece mais interessante a pessoa que reconhece a própria fraqueza. Desde que não a use como muleta.

E... assim, quase instantaneamente, no gerúndio desse post, quem me salta na mente?
Fernando Pessoa, ou Álvaro de Campos, no poema em linha reta
Esse não é o cara que "desvia da possibilidade do soco", mas o cara que aceita que "desvia da possibilidade do soco". E, ao assumir uma fraqueza universal, torna-se forte, pois essa atitude passa a parecer tão humilhante aos demais que preferem apenas guardar dentro de si.



aliás,
- outra coisa que gosto no francês, é a diferença entre "rappeler" e "souvenir". Ninguém nunca me ensinou formalmente assim, mas fiquei com a forte impressão que "rappeler" é uma lembrança mais racional, enquanto "souvenir" é uma lembrança mais emocional. Talvez por isso nunca lembre de datas ou frases ou outros detalhes das pessoas de quem eu gosto. Je ne me rappelle pas, mais je me souviens bien...
- isso já me abriu um link para aquela expressão no inglês "for good". Ela me parece se referir ao acontecimento mais irreversível que há. Eu diria mesmo um acontecimento definitivo. E essa expressão reforçou minha convicção insana de que tudo o que acontece, acontece para o bem - for good. E que a própria definição de bem, é o que permanece. Ruim é aquilo que simplesmente sumiu - já não faz parte nem do passado.

aliás,
- quem disse que o passado é imutável? Meu passado se reescreve a cada instante.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sobre o Perdão

Ins-pirações:
Heresia Loira e Chico Buarque:
"Você que inventou esse estado e inventou de inventar toda escuridão...
Você que inventou o pecado e esqueceu-se de inventar... o perdão!"

O perdão só existe se há culpa.
A culpa só existe se há julgamento.
Então, não seria mais fácil, antes de perdoar, simplesmente deixar de julgar?

Será que estamos assim tão hipnotizados por essa lógica religiosa que deu origens até ao direito romano?
Bem, a religião ao menos perdoa. O direito prevê punição.
Mas quem faz as leis? Ou como elas surgem?

Por que nós nos impomos tantas restrições? Ou ainda por que tentamos impor aos outros tantas restrições que... não queremos para nós mesmos.

Uma lei ainda pode ser legítima se restringe apenas quem a criou.
Mas é válido criar leis para os outros?

E qual punição sentenciamos no nosso foro íntimo? Deixar de amar?
Mas então... era mesmo amor?

Mesmo antes de julgar, distribuímos e cobramos responsabilidades que não necessariamente estamos prontos a aceitar.
Criamos as regras, vigiamos o erro e culpamos, como quem coloca uma dívida no outro. Hierarquizamos. Restringimos a liberdade alheia buscando aumentar a nossa. Aí então ficamos surpresos e chateados quando percebemos que isso não funciona. Pois acabamos dividindo a punição com aquele no qual jogamos toda a culpa. Quem gosta de deixar de gostar?

Se punir também nos castiga, por que então condenamos? Por que julgamos? Por que restringimos? Por que culpamos...?

Afinal de contas

Então, de onde surgiu o nome do meu Blog?

Queria um título que estivesse disponível também como http://, tarefa que se mostrou complexa e acabou me levando a uma "livre" associação extensa mas produtiva.
Dar nome a um blog é um exercício de introspecção.

Guardei algumas tentativas que levaram a nomes de blogs já existentes:

divididoporzero
issofoiontem
oirartnocoa
ospirata

Então resolvi procurar nomes mais pessoais.
Decidi juntar os nomes das quatro cidades nas quais eu já vivi.

Florianópolis, Leoberto Leal, Barcelona e Paris.

Para o endereço http:// não ficar muito grande, coloquei as abreviações aeroportuárias (IATA). Leoberto Leal não tem aeroporto ainda, mas usa o de Florianópolis. Paris também tem o aeroporto de Orly, mas foi pelo Charles de Gaulle que eu entrei pela primeira vez.
fln, bcn, cdg.

Depois do meu primeiro post tive também outras idéias:

intimo
intimidade
eu
ego

E descobri que tanto o nome quanto o http:// não precisam ser definitivos. Então...


Aliás...
- como é bom o "Samba de Orly"
- quero também fazer menções honrosas a três outras cidades onde passei um bom tempo - somando idas e vindas, pelo menos uns dois meses em cada uma: Seattle, São Paulo, Montpellier.

Aliás...
- meu blog poderia se chamar Seattle São Paulo Montpellier... mais misterioso... Que tal mudar agora?

Livre Associação

Escolher um nome para Blog não é fácil.
Encontrar o nome disponível é mais complicado ainda.

Como é que se faz para dar nome a um blog?
Tu, blogeiro, como desse nome ao teu blog?
Como resumir num título e num http:// aquilo sobre o qual tu queres falar?

Ok, se já há um assunto em mente, se o blog já nasce predestinado, se ele tem um propósito! - idéias ali prontinhas para receberem um upload, agoniadas para pularem dos neurônios para os circuitos elétricos, talvez, ainda talvez assim seja mais fácil.

Mas não foi meu caso.

Comecei esse blog sem ter a menor idéia de sobre o que escrever. Apenas "deu vontade". De onde "veio" essa vontade?
Era preciso ter um blog. Para que as pessoas me conheçam, que tenham acesso aos meus pensamentos íntimos.
Quero que tu te tornes íntimo de mim, mesmo sem jamais ter te conhecido pessoalmente.

Intimidade... intimidade é a resposta.

Esse será um blog íntimo, a respeito de mim mesmo. Também quando falo de outros assuntos.
Meu maior leitor - eu mesmo.

Porém, se tu chegaste até aqui... talvez o blog também te interesse.