Ins-pirações:
Heresia Loira e Chico Buarque:
"Você que inventou esse estado e inventou de inventar toda escuridão...
Você que inventou o pecado e esqueceu-se de inventar... o perdão!"
O perdão só existe se há culpa.
A culpa só existe se há julgamento.
Então, não seria mais fácil, antes de perdoar, simplesmente deixar de julgar?
Será que estamos assim tão hipnotizados por essa lógica religiosa que deu origens até ao direito romano?
Bem, a religião ao menos perdoa. O direito prevê punição.
Mas quem faz as leis? Ou como elas surgem?
Por que nós nos impomos tantas restrições? Ou ainda por que tentamos impor aos outros tantas restrições que... não queremos para nós mesmos.
Uma lei ainda pode ser legítima se restringe apenas quem a criou.
Mas é válido criar leis para os outros?
E qual punição sentenciamos no nosso foro íntimo? Deixar de amar?
Mas então... era mesmo amor?
Mesmo antes de julgar, distribuímos e cobramos responsabilidades que não necessariamente estamos prontos a aceitar.
Criamos as regras, vigiamos o erro e culpamos, como quem coloca uma dívida no outro. Hierarquizamos. Restringimos a liberdade alheia buscando aumentar a nossa. Aí então ficamos surpresos e chateados quando percebemos que isso não funciona. Pois acabamos dividindo a punição com aquele no qual jogamos toda a culpa. Quem gosta de deixar de gostar?
Se punir também nos castiga, por que então condenamos? Por que julgamos? Por que restringimos? Por que culpamos...?
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
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