terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Seattle

Estive em Seattle em 1996. Passei dois meses na cidade. Era bem a época de transição entre o movimento Grunge e o Pós-grunge.
É uma cidade completamente diferente daquilo que se imagina por Estados Unidos. Fica no extremo noroeste do país, muito próximo ao Canadá. É terra da Microsoft, da Boeing e de gente legal e alternativa. Fiquei a maior parte do tempo em Capitol Hill, bairro mais alternativo da cidade, um dos berços mundiais da contracultura.

Lembro que me chamou atenção na época a população jovem, internacional e magra. Sim, magra. Além disso, foi a primeira vez que entrei em contato com piercings e tatuagens. Praticamente não havia isso no Brasil. Em Seattle, eu me sentia estranho por não ter nem um nem outro. O normal era ter vários piercings. Era difícil encontrar um jovem que não tivesse dois ou três. Bem... depois de 14 anos, continuo sem nenhum.

Porém, não se pode dizer que voltei de Seattle sem influências. Essa cidade me tocou profundamente. E não é de se estranhar que ela, em 1999, três anos após minha estada, tenha sido palco da famosa Batalha de Seattle, movimento social espontâneo que envolveu entre 40.000 e 100.000 pessoas. Incrível como pouquíssima gente no Brasil saiba desse evento. Principalmente por não ser um acontecimento isolado, mas um marco num movimento ideológico fortíssimo e que tem tudo a ver com a blogsfera.

Indignados com a "cobertura jornalística oficial", que ocultava, minimizava ou distorcia os fatos, ativistas criaram a Indymedia, que já se tornou uma imensa rede voluntária e horizontal de cobertura jornalística. O ramo brasileiro é a Central de Mídia Independente.



Aliás,
Um dos amigos que fiz por lá ganhava a vida comprando casas antigas, as reformando e revendendo. Os compradores eram, em sua grande maioria, moradores "exilados" de Hong Kong, que estavam batendo em retirada da ilha, símbolo do capitalismo, que seria devolvida no ano seguinte, em 1997, à China comunista.
Como pagavam mais caro pelas casas, deixava de valer a pena derrubá-las e construir outras no estilo arquitetônico oriental, o que estava já desfigurando a cidade.

Aliás,
Pra quem não sabe o que Hong Kong estava fazendo sob domínio inglês até 1997, vale muito a pena estudar um pouquinho sobre a Guerra do Ópio. Interessante que eu nunca havia ouvido falar nisso no colégio...

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